Amores de Marco
Sempre fora apaixonado pelas mulheres. Não que gostasse de todas e de nenhuma em especial; antes fosse isso. Havia aquelas que não eram nada além de rostos e corpos bonitos, sim, e essas sempre representaram a maioria. As que se diferenciavam da massa de Barbies não eram tão numerosas, mas lhe traziam confusão o suficiente. Marco não dormia uma noite sequer sem que agradecesse ao universo por não fazer todas as mulheres do mundo interessantes. Seria dor de cabeça demais.
Na tentativa de desfazer os nós mentais, classificava cada mulher de sua vida. Era mais fácil, claro, quando a dita cuja era do grupo denominado Eternas pré-adolescentes. Mas, então, chegava a vez das diferentes…
Havia a Marcela. Quando a conheceu, Marco ficou deslumbrado: nunca havia encontrado outra pessoa que ouvisse metal e também saísse para dançar forró toda terça. Com a convivência, viu que as semelhanças se limitavam aos gostos e interesses pessoais. Estava no jeito de andar da garota: as costas encolhidas e a cabeça baixa deixavam claro o medo constante do mundo.
Era o contrário de Alicia. Os dois queriam fugir pra uma cidade minúscula no Chile e criar os filhos perto do mar. E acreditavam no poder da escolha, eram duros, orgulhosos, geniosos. Mas cada vez que Alicia colocava no rádio do carro de Marco o cd de uma banda powerpop islandesa, ele queria se atirar pela janela.
Nas noites de insônia, Marco pensava que o ideal era juntar Marcela e Alicia. Seria a amante, namorada, amiga, mulher dos sonhos. Uma vez lhe disseram que seria como Marco namorar ele mesmo. E era com esse pensamento que o rapaz sempre se voltava à Nathália.
Ela não era bonita e nem muito simpática. Ele não sabia como a história dos dois começou e muito menos como se tornou aquele filme em preto-e-braco, que era pra terminar quando ele gritou “Me esquece, Nathália”. Assim, sem apelidos e sem exclamações. Ele guardou num canto da memória o olhar da moça; viu de relance um fundo de remorso, até achou que fosse se formar uma lágrima. Ela lhe deu as costas e caminhou determinada, como se soubesse que era observada. Marco ficou esperando que ela olhasse para trás para poder gritar desculpas, pedir que ficasse porque quem não esquecia era ele. Ela nunca olhou e ele nunca esqueceu.