Monday, October 22, 2007

Jogo da carona?

Percebe de longe o andar tão conhecido, sem saber ao certo de onde. A barba, o cabelo, as roupas: tudo um pouco diferente, mas ainda assim familiar. Os óculos escuros escondiam os olhos que outrora lhe faziam tanto mal. Ia poder passar e fingir que seus olhares não haviam cruzado e que ela nem viu a pessoa sem nome, como já acostumura fazer há anos.

A calçada foi diminuindo a distância conforme os passos ficavam mais firmes para esconder a hesitação. Era como um jogo de espelhos em que a matéria nunca pode passar pro outro lado sem explodir. Matéria e antimatéria destruíam o espelho, o único elo entre os dois universos. E ao mesmo tempo tudo era o contrário e cada metáfora queria dizer o oposto e toda cor caía num daltonismo caótico.

Enquanto ensaiava passar reto, sentiu apertarem seu braço esquerdo e sua pele arrepiou ao toque da antipele.

- O que você está fazendo? Já faz tanto tempo…
- É que eu ainda quero te fazer doer.*

Juntou toda saliva que pôde e cuspiu forte. Saiu andando, puxou seu braço e apertou o passo. Se não fossem as lentes, ele teria cegado. Saliva e antimatéria se corroem sempre.

*Quero colocar essa frase em outro lugar ainda. Por enquanto, fica nesse.

Posted by emptyroom at 02:35:17
Comments

One Response to “Jogo da carona?”

  1. joão says:

    te devo alguma coisa e o que seria mesmo? agora eu não lembro…

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