Summer is gonna take the pain away. Ficava repetindo isso na minha cabeça, como se, com isso, a frase viraria verdade e faria sentido para mim. Todo dia de manhã, em frente ao espelho, era a mesma coisa. É que uma vez me disseram que era tudo coisa da mente, se a gente controla a mente, controla tudo a nossa volta. E eu mal conseguia controlar o que se passava por dentro.
Veio o verão e o sol brilhando forte só machucava as lembranças. E eu queria tirar todas elas de mim e atirá-las ao sol para que elas secassem, desidratassem, se desintegrassem, sumissem no ar. Mas não. O céu azul e límpido não era a solução dos meus problemas e eu não possuía uma Lacuna Inc. para resolvê-los por mim.
Foi só quando chegaram as chuvas…
Era só dia de rir, não de me esconder embaixo de um guarda-chuva cor-de-rosa. Mas vieram aquelas gotazinhas das nuvens cinzas: maldita gravidade, sempre. Só que domingo era bonito de novo e o dia seguinte e o dia seguinte e o outro. E a chuva dentro do carro, de repente, lavava e levava tudo embora. A chuva de dentro do carro curava de dentro pra fora e, pela primeira vez, “você estragou tudo” era dito num sorriso.
E setembro chegou, como chegavam sempre os fins de semana. E não cai mais choro da chuva e não cai mais choro de mim. E setembro faz o mundo espelhar toda a cura em flores amarelas que caem, não do céu, mas do alto também. Então eu vejo que não preciso que o mundo gire rápido: quero ele devagar pra eu sentir bem cada palavra. Quero o tempo devagar, quase parando, pra eu nunca perder uma franzida de testa. Quero faróis no vermelho e abraços que me acordam de madrugada enquanto eu durmo. Quero um monte de besteiras ditas sem pensar e achar que a cada estupidez o mundo vira um lugar mais doce e colorido. E a gravidade não é mais maldita porque sem ela os balanços nem existiriam…
This is fact not fiction for the first time in years.
Obs: Já que tudo que eu escrevo você acha que é verdade, deixo essa verdade escrita pra você.