Se pudéssemos não seríamos um problema social
Desculpem-me as mulheres, mas vocês são muito trouxas. É o cúmulo do absurdo sofrer por causa de homem. Nós não temos mistério nenhum. Já é sabido que quando pedimos o telefone ao despedir, na verdade estamos dando um “adeus”; quando dizemos “adoro passar o tempo contigo”, queremos dizer “não dá mais”; e a mais clássica e íntima de todas, quando dizemos “não quero que nada mude entre a gente”, estamos, sem dúvida, assinando o termo de compromisso do final supremo de uma relação.
Para quê, então, tremer as pernas quando aquele carinha passa? Vocês não se cansaram desse sentimento bobo - tá, eu confesso que é gostoso sentir um friozinho na barriga - que, no final das contas, só faz mal? Suas ações beiram o absurdo. Perseguição. Causo de polícia. Outro dia escutei de uma amiga: “Se uma menina se apaixonar por você, cuidado, ela já sabe tudo da sua vida. Nós somos assim”. Por que vocês são assim?
Parece que uma mulher apaixonada se torna assessora de imprensa do objeto amado, secretária dos encontros que nunca acontecerão, cozinheira do jantar que ele terá com outra, camareira do quarto de motel em que ele um dia dormiu, acompanhado. E, ainda assim, vocês gostam. Estranho. Gostar de sofrer. Sei lá, não acho que valha a pena.
Com a modernidade e proximidade que vocês não têm, até o Orkut já virou ferramenta de espionagem. Tenho certeza que entram na página do seu Brad Pitt de quinta categoria mais vezes do que na sua própria. Não duvido nem que sejam capazes de, mais do que dar conta dos “scraps” dele, saber a ordem das pessoas que lhe escreveram. Até ciúmes de quem aparece com certa freqüência vocês desenvolvem com o tempo; chegam a não gostar daquela melhor amiga que tem a intimidade que você sempre quis. Mas você sabe, o máximo que terá é o MSN dele, em que provavelmente estará bloqueada.
Mesmo quando a mina que está pegando o garoto te diz, sem saber dos seus sentimentos por ele, que ele beija mal e não tem pegada, é certo que você não vai desistir, talvez queira até mais. Loucura. Dessa maneira você se sente perto dele, e isso já basta, é o suficiente. Vício.
Meninas. Mulheres. Vocês não têm dó dos seus amigos que SEMPRE escutam o mesmo assunto. Eles também têm problemas, sabiam? Vocês não se cansam de achar que TODAS as músicas foram feitas para você e para o seu amor platônico? de achar que se estivessem naquele lugar a tal hora teriam encontrado com ele e, não se sabe por quê, naquele dia, ele iria reconhecer o amor que só vocês sabem que existe - ou acham que sabe? Fiquem tranqüilas. As oportunidades que vocês acham que perderam na verdade nunca existiram! Parem de construir um futuro que não lhes pertence, de viajar enquanto tomam banho num final de semana perfeito com o Fulaninho, numa balada irada com o Beltraninho, numa transa fenomenal com o Ciclaninho. Vocês sofrem muito não gostando de gostar e fingindo que gostam de não gostar.
Patético é encher a cara para afogar as mágoas. Eu sei, todo mundo, inclusive os homens (essa classe de homens compreende os cornos) já o fizeram por uma vez, mas isso não faz com que seja menos patético. Daí você bebe, fala alto para a pessoa escutar, dança diferente para a pessoa ver, ri descomunalmente para mostrar que é feliz. Talvez você seja feliz, mas naquele momento só é dependente. Confesse! Você preferia que ele não estivesse presente, mas já que está, aproveita para vender o seu peixe. Mentira, você queria, sim, que ele estivesse presente. Burra! Outra situação tal qual essa é assistir àquele filme que sempre te faz chorar. Já o assistiu até de trás para frente, mas assiste de novo com um pacote de Doritos grande e uma caixa de Bis Branco ao seu lado. Gorda! Normalmente, pede uma pizza antes, ou vai comer sorvete depois. Previsível. Clichê. Você chora mais por obrigação do que por querer, sente falta disso. Estúpida! Ao menos, no final do filme você está melhor, divertiu-se da maneira que gosta. Apesar de tê-lo colocado para lembrar de como a sua vida amorosa é triste, no final nem lembra mais do filha da puta que te faz sofrer.
Agora, para nós, os homens: se você vê que aquela menina não larga do seu pé, que está dando em cima descaradamente, não a fique administrando. Coitada, ela se entregou e é assim que você a agradece? Eu sei, eu sei que algumas não largam do pé nunca, mas eu sei também que nós gostamos de ter um step. Não façamos mais isso. Deixemos elas sofrerem por conta própria. Nem sempre é nossa culpa.
Mea culpa.
“Ô! Carolina eu vou amar você … … Não temos tempo, então melhor deixar pra lá”
(Carlos Giffoni)