“A grande arte exige amor e ódio” (Antonio Carlos Villaça)
Há inúmeros sentimentos humanos que podem ser listados. O amor sempre foi o preferido dos filósofos em sua maioria, das pessoas, dos poetas. A paixão ganhou maior atenção e adeptos durante o Romantismo. A tristeza sempre foi objeto dos artistas e, atualmente (e infelizmente), ela tem sido muito valorizada pelos chamados emos. Saudade, felicidade, alegria, afeição, pena, medo, esperança. O único sentimento realmente rejeitado é o ódio - e a raiva, por extensão.
Por que o ódio? Ora, o ódio era o principal elemento no caráter de todos os vilões. Era ele que gerava a inveja, o desejo por vingança, a maldade fria e sedenta. Em minha visão, os vilões eram sempre muito mais humanos do que os mocinhos. Os mocinhos eram sonsos. Os bandidos se endoideciam seguindo seu lado passional; eles buscavam a vida, só que, muitas vezes, a vida estava depois da linha que a delimita com a morte.
O ódio é palpável e muito melhor reconhecido do que o amor e todas as suas vagas definições. Quem nega o ódio, nega uma parte essencial da vida. Quem nunca sentiu vontade de gritar enlouquecidamente, alto o suficiente para o outro lado do mundo escutar, até rasgar as cordas vocais e sentir a garganta sangrar? Quem nunca quis esmurrar uma parede - e quem nunca chegou a fazer isso - até quebrar todos os ossos da mão e fazer doer tanto que o ódio até alivia? Sentir o coração disparar, a falta de palavras no momento crucial, a tremedeira no corpo, o mundo girando rápido, não são sintomas só de amor, mas de quem odeia também.
A verdade é que o ódio enlouquece tanto quanto qualquer paixão. Ele move o mundo, tanto quanto o amor move, para direções certas e erradas, assim como qualquer ação guiada por um sentimento. Amor e ódio são iguais, mesmo em extremos opostos. Fazem parte da condição humana e só causam mal se ignorados ou reprimidos. Matar o ódio é tão cruel quanto matar um primeiro beijo.
There’s nothing in this world so sweet as love, And next to love the sweetest thing is hate - Henry Wadsworth Longfellow