Não deixo meu mundo se encher de você. Não te deixo encher meu mundo, porque se você perceber a bagunça que sou e a bagunça que faço, você vai embora - e, mais cedo ou mais tarde, todo mundo percebe. E quando você for, meu mundo vai ficar vazio até doer tanto que ele vai ficar impregnado de você e desse nada que você vai me deixar. E vai doer tanto que eu vou voltar no tempo, bem quando menos quero fazer isso.
Fora que meu mundo não foi criado pra ser cheio. Porque ele não sabe ser simplesmente cheio, ele sempre quer transbordar e, hora ou outra, transborda. Melhor perto do vazio do que transbordando e causando os estragos que já sei de cor. Porque senão ele pode até quebrar e não quero ter que juntar meus mil caquinhos sozinha e colar todos eles sozinha e chorar sozinha porque vai ficar tudo fora do lugar em mim, eu vou ficar toda fora do lugar em mim.
E desculpa se não consigo mais fechar os olhos e me jogar inocentemente, pensando que a felicidade está me esperando nas nuvens, quando o meu destino certo é a dureza do chão, semanas de queda mais tarde. Se reconstruí o muro que sempre me protegeu em troca de eu me isolar do resto e ficar só comigo mesma. Se eu mesma me coloquei em uma torre e não espero mais ninguém na janela porque no inverno passado o frio quase me congelou pra sempre ali. Ali, a esperar ninguém.
Vai ver quem pensa demais não é você, sou eu e, por mais cliché e falso que soe, o problema é comigo. O problema é sempre comigo. Mas não, não interpreta nenhuma dessas palavras como tristeza, como recaída por um sorriso, como ausência de algo que sobra em você. É só medo. Porque eu fiquei covarde que nem criança traumatizada e não quero brincar no parque em dia de tempestade feia. Alguma árvore pode cair.
E não, nada disso faz sentido e nada disso é certo. Tem tanta coisa que ninguém nem sabe.
“…but I’m just a fucked-up girl who is looking for my own peace of mind. Don’t assign me yours.” - Clementine