Saturday, March 31, 2007

Pausa pro Jabá

Fui ao Carrefour semana passada com a minha mãe. Não lembro mais o que ela queria comprar lá, nem o motivo de eu ter me afastado dela pra ir olhar a parte de CD’s e livros. Sei que me deparei com o CD de um tal de João Moura, vendido pelo preço de R$ 0,99.

Li uma vez que um CD custava R$ 2,00 pra gravadora. O resto era superfaturado pra ela pagar o jabá das rádios, que, então, colocam seu artista entre os dez mais votados pela audiência. Explicado porque a 89fm desencanou do slogan “A Rádio Rock”? Maldita lógica comercial que restringe (também) as rádios boas…

Enfim, o que eu queria dizer é que tem tanto discurso contra pirataria por aí e até contra a troca de mp3, mas parece que os poderosos das gravadoras não percebem que o público não paga R$ 30,00 por um cd, mesmo que ele venha todo bonitinho, com letras e um encarte foda.

O Carrefour descobriu a solução para a pirataria. Eles só precisam divulgar isso.

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tudo de pedra

Não deixo meu mundo se encher de você. Não te deixo encher meu mundo, porque se você perceber a bagunça que sou e a bagunça que faço, você vai embora - e, mais cedo ou mais tarde, todo mundo percebe. E quando você for, meu mundo vai ficar vazio até doer tanto que ele vai ficar impregnado de você e desse nada que você vai me deixar. E vai doer tanto que eu vou voltar no tempo, bem quando menos quero fazer isso.

Fora que meu mundo não foi criado pra ser cheio. Porque ele não sabe ser simplesmente cheio, ele sempre quer transbordar e, hora ou outra, transborda. Melhor perto do vazio do que transbordando e causando os estragos que já sei de cor. Porque senão ele pode até quebrar e não quero ter que juntar meus mil caquinhos sozinha e colar todos eles sozinha e chorar sozinha porque vai ficar tudo fora do lugar em mim, eu vou ficar toda fora do lugar em mim.

E desculpa se não consigo mais fechar os olhos e me jogar inocentemente, pensando que a felicidade está me esperando nas nuvens, quando o meu destino certo é a dureza do chão, semanas de queda mais tarde. Se reconstruí o muro que sempre me protegeu em troca de eu me isolar do resto e ficar só comigo mesma. Se eu mesma me coloquei em uma torre e não espero mais ninguém na janela porque no inverno passado o frio quase me congelou pra sempre ali. Ali, a esperar ninguém.

Vai ver quem pensa demais não é você, sou eu e, por mais cliché e falso que soe, o problema é comigo. O problema é sempre comigo. Mas não, não interpreta nenhuma dessas palavras como tristeza, como recaída por um sorriso, como ausência de algo que sobra em você. É só medo. Porque eu fiquei covarde que nem criança traumatizada e não quero brincar no parque em dia de tempestade feia. Alguma árvore pode cair.

E não, nada disso faz sentido e nada disso é certo.  Tem tanta coisa que ninguém nem sabe.

“…but I’m just a fucked-up girl who is looking for my own peace of mind. Don’t assign me yours.” - Clementine

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Thursday, March 22, 2007

Devaneios que ninguém vai entender

Estava eu lendo o livro A História Sem Fim, relembrando minha infância em frente à TV durante o Cinema em Casa do SBT, quando me deparo com a seguinte passagem:

E também não basta querer ir embora de um lugar. É preciso que se queira ir para outro. Deixe que os seus desejos o conduzam.

E então pensei comigo o que aconteceria com quem quer voltar ao lugar de onde veio. Voltar ao outro quarto, quando a porta por onde entrou no próximo cômodo se fechou às suas costas. Voltar ao dia anterior, momentos antes de despertar, e se aconselhar em sonhos o que deveria e não deveria ser feito. Voltar àquela primavera doce, quando se viam as flores amarelas atapetando o asfalto pelo primeira vez. Quando o roxo e amarelo formavam a combinação de cores mais harmoniosa e animadora do mundo. Quando o tempo passava devagar demais para compensar o mundo girando tão rápido que dava vertigem, premeditando a queda certa.

E a Imperatriz Criança diz sabiamente que “o sempre não passa de um momento”. A fugacidade do sempre é toda segurança que se tem, no final das contas. Toda segurança e, ao mesmo tempo, toda falta de chão.

Mas quando nem se quer mais voltar, já não há remédio. O sempre era momento, o momento virou pó colorido e o pó virará pedra quando a noite chegar. Só me deixa guardar o girassol plantado na janela…

 

…and it felt just like falling in love again

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Thursday, March 15, 2007

Retrato de uma Elea no terceiro semestre da faculdade de jornalismo:

…por que, Por Que, POR QUE EU NÃO PRESTEI ARQUITETURA??? POR QUÊ??!?!?

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Saturday, March 10, 2007

Síndrome de Uma Vida Iluminada

Queria acordar todos os dias com girassóis na minha janela. Queria ter um quintal imenso, cheio de girassóis. Queria ter um vaso no meu quarto, com um girassol plantado nele. Queria ganhar um buquê de girassóis em todos os meus aniversários. Queria um girassol no meu coração, mas não queria que meu coração fosse um girassol, que nem ele sempre é.

Mas “ainda é tempo de morangos”. Morangos, maracujá, cacau, rosas, margaridas, girassóis. É só não esquecer. A esperança não morre, não. Ela só vai mudando de foco. Que nem sentimento que não muda, mas muda suas conseqüências.

“Need you so much closer” porque o tempo tem me deixado sorrir demais. E acho que fico bem melhor assim, apesar de ainda não ter me acostumado comigo mesma desse jeito saltitador por dentro. E já que o balanço quebrou, vou plantar flores na minha janela. Girassóis, quem sabe…

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Wednesday, March 7, 2007

fases da janela pro mundo

Era lua cheia. Mas uma lua tão grande, tão grande que ofuscava o brilho de todas as estrelas juntas. Elas viravam só pontinhos de luz no céu, grãozinhos de sal num fundo azul escuro. Não dava pra ver mais nada. Era a lua, imponente, invencível e irrecusável. Não havia modo de negar, a luz branca era como a voz doce de uma sereia, cantando pra trazer o marujo para o mar e fazê-lo se perder para sempre na escuridão do fundo das águas. Era lua cheia.

Mas daí a maré desceu e as ondas se acalmaram. E, de repente, o mundo voltou a girar lentamente. E as cores da noite foram aparecendo uma a uma. E o cheiro melado das flores brancas invadiram o ar. As dificuldades do caminho não eram mais escancaradas e não desencorajavam ninguém mais. E as estrelas ganharam vida própria, caindo e riscando o céu, num desenho de sonhos cor-de-rosa que, no fundo, ninguém deixa de viver, porque isso seria triste demais.

E a lua, de repente, não estava mais cheia. Já era lua nova.

Posted by emptyroom at 01:40:14 | Permalink | Comments (2)