Seriedade pública
Eu tenho sempre uma música na cabeça. De vez em quando, quando sei a letra, fico cantarolando pelos cantos, atormentando as pessoas que estão perto de mim. O que eu sempre quis mesmo era sair cantando alto pela rua, quando tenho que ir sozinha para algum lugar. As poucas vezes que saí cantando baixinho por aí, as pessoas me olhavam com um ar assustado, o que me fez desistir da idéia e deixá-la guardada para os dias em que eu estiver acompanhada - não sei porque, mas a loucura de várias pessoas é mais aceita do que a de uma pessoa só.
Eu não poder cantar pela rua, acaba me levando a uma dúvida maior. Por que raios todo mundo tem que andar com esse ar de neutralidade, com essa expressão vazia no rosto, quando se está sozinho? Acho que eu seria uma pessoa [ainda] mais feliz e empolgada se eu visse pessoas sorrindo por todos os lados. Não entendo porque ninguém demonstra sentimentos quando não tem companhia. Até porque, em momentos desse tipo, você acaba pensando muito mais e pensar demais leva a reviver coisas presas na memória, o que leva você a lágrimas de melancolia, de dor, de saudade ou a sorrisos e gargalhadas abafadas pelo que passou.
Não sei porque todo mundo quer se fazer de sério, se ser criança feliz traz tanta leveza de espírito.
“Os olhos mentem dia e noite a dor da gente”