Friday, January 26, 2007

Colorido que não engana

Quando eu entrei na faculdade, eu gostava de dizer que me sentia uma criança indo a um parque de diversão pela primeira vez na vida. Ela quer ir em todos os brinquedos de uma vez só, mas, ao mesmo tempo, tem medo de todos eles. Essa semana fui a um parque de diversão depois de quase dois anos sem nem chegar perto de uma montanha russa, apesar de adorar esse brinquedo. Depois de horas andando sob um sol escaldante, meu grupo de aventura parou para um merecido descanso e foi então que me veio a idéia de que um parque de diversão não é só como entrar numa faculdade que teste seus paradigmas, mas é como um monte de partes, de momentos, da vida.

A montanha russa, por exemplo, é um clássico. Altos e baixos e voltas de cabeça para baixo. Isso é muito adolescência - considerando, é claro, que as pessoas são adolescentes até os 24 anos, como eu li em um artigo uma vez. Tudo começa com uma subida aterrorizante que parece não terminar nunca: é o êxtase de se ver amadurecendo e crescendo. O ponto de vista muda. E, de repente, as decepções chegam. E por algum motivo, tudo é sentido muito mais intensamente, como se sente dentro de um carrinho descendo aos trancos longos metros de trilhos.

Tem o elevador, ou a torre, ou seja lá o nome que se dê pra esse brinquedo no parque que você vai. Do chão, você olha a ponta do brinquedo e nem parece tão alto assim. Você senta, fecha a trava e tem a certeza de que não vai ser horrível. E o carrinho começa a subir, subir, subir. O mundo fica pequenininho lá embaixo e você se pergunta porque foi fazer isso. São as decisões que você toma precipitadamente e não consegue calcular direito as consequências. Mas calma que uma hora a descida acaba e você volta ao chão.

A roda gigante é a ilustração da tese de que depois de uma fase muito boa vai haver uma fase muito ruim. Pra depois voltar a fase boa e assim por diante. Nenhuma felicidade é eterna, assim. E as xícaras são que nem se apaixonar: tudo gira rápido demais, tão rápido que você só vê cores em volta e a pessoa sentada na sua frente. E a “Montanha Encantada” (aquele barquinho que entra num túnel enfeitado de bonequinhos bobos que cantam” uma música ruim) é que nem investir num relacionamento por puro carinho. Bonitinho, doce, mas sem emoção e sem graça nenhuma.

Às vezes dá vontade de largar toda a intensidade de um parque de diversões e simplesmente voltar pra casa, colocar o pijama e ver 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você comendo brigadeiro deitada na cama. Mas ainda é dia, o sol brilha e não há filas. Enjoy it!

Roda-mundo, roda-gigante, Roda-moinho, roda pião. O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração.

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Tuesday, January 16, 2007

nothing’severgonnastandinmywayagain

Às vezes eu ouço uma música e dá vontade de ouvir de novo e de novo e de novo. Por isso que eu gosto tanto do título de um EP da Hello Saferide que chama “Would You Let Me Play This EP 10 Times A Day?”. Aliás, quando baixei esse EP, devo ter escutado umas dez vezes por dia mesmo (não que seja muuuito bom, é só o fator chiclé que entra no caso).

Essa semana resolvi grudar em outra música. Mas o pior é que nesse caso é uma música só, não um álbum. Eu juro que toda vez que ouço penso que é a última. Mas daí eu não resisto.

Vai dizer que cantar bem alto “NOTHING’S EVER GONNA STAND IN MY WAY AGAIN!!”, pulando e girando, não é uma das coisas mais felizes que você pode fazer totalmente sozinho trancado em casa? Sério…é muito viciante fazer isso.

Fora que quando você canta essa frase com sinceridade, se ela vem de dentro de você (apesar de ter sido escrita por outra pessoa), parece que nem a maior pedra do mundo que fique no meio do seu caminho pode impedir alguma coisa. É só dar um pequeno chute e pronto. Ou então, pegue a pedra, coloque no bolso e depois jogue num lago, no melhor estilo Amelie Poulain.

Mas não afogue pessoas porque elas ficam feias uns dias depois.

Waste the days, waste the nights/ Try to downplay being uptight/ Oh, you’re right, but I believe/ A kiss is all we need./ Nothing’s ever gonna stand in my… Nothing’s ever gonna stand in my… Nothing’s ever gonna stand in my way again!

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Thursday, January 11, 2007

Vícios e paixões

Todo vício é uma paixão. Um alcoólatra, por exemplo, pode ficar meses, talvez anos, sem colocar uma gota sequer de álcool na boca. Mas é sentir aquele aroma de vinho, imaginar o whisky resfriando no gelo, o ardor da vodka na garganta, que suas forças vão fugindo e a mente fraqueja.

Um ex-fumante, então: meu pai ficou sem fumar durante seis meses, uma vez; segundo ele, foram os seis meses que ele mais sentiu vontade. Hoje, ele não fuma há quatro anos, mas ainda treme as mãos quando sente o cheiro de nicotina alheia. Se bem que creio que cada dia que passa ele fica mais forte em relação ao cigarro.

Nas clínicas de recuperação de viciados, tem sempre aquela terapia em grupo, com uma orientadora que insiste que é “um dia de cada vez”.

Mas vício pode ser futebol também (meu tio tem gastrite toda vez que vê um jogo do Palmeiras), alguma banda em especial (tipo aquela menina que infartou no show do KLB), algum escritor ou livro (preciso falar sobre a fila de leitores que se forma nas vésperas de lançamento de um novo Harry Potter?) ou uma pessoa. Pra mim, pessoa é o vício mais doloroso.

Curar um vício é difícil. Enquanto o objeto/pessoa está longe do alcance dos olhos e de qualquer outro meio de percepção humana, parece bem possível de fazê-lo. O problema é que não dá pra se esconder e fugir pra sempre daquilo que você anseia…Até porque, algumas vezes, por mais rápido que você corra, seu vício alcança você, e por mais invisível que você se torne, ele vai gritar seu nome e enxergar você de alguma forma.

Toda paixão é um vício. E tem paixão que não dá pra matar. Tem que deixar que ela morra sozinha. Problema é que ela sobrevive de esperanças. E tem sempre aquele clichê de que “a esperança é a última que morre”.

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Wednesday, January 3, 2007

Sem moral pra escrever este texto

Vais ter com mulheres? Não esqueças o chicote!” (Friedrich W. Nietzsche)

Segundo minha (ex) professora de Ética, Nietzsche tinha ódio das mulheres por causa de uma desilusão amorosa. Ela diz que não existe nada pior do que um homem magoado, porque ele acaba escrevendo e dizendo coisas horrorosas sobre o sexo oposto, tudo porque uma fêmea qualquer não correspondeu o sentimento alheio.

Depois de ver o filme Dogville, de Lars Von Trier, só consigo pensar que minha professora não conheceu ainda a ira de mulheres rancorosas e vingativas como a protagonista dessa história. Não comento mais nada sobre ela, senão acabo contando o final e daí perde a graça. Só digo que fico bem feliz e me alivia a consciência eu ser filha de um homem que trabalha com assistência técnica, ao invés de ser um grande gângster dos Estados Unidos.

Acho que o problema não são homens magoados, mas o ser humano magoado, em geral. Até porque a frase “homem não presta” é muito mais ouvida do que “mulher não presta”, contradizendo a tese da minha professora - e tenho certeza que uma é tão verdadeira quanto a outra. Acontece que é tudo um círculo vicioso: um homem magoa uma mulher. Daí ela se revolta e resolve não levar mais ninguém a sério e magoa um homem, que por sua vez vai se revoltar e magoar outras mulheres e assim por diante.

No fim, é tudo um problema de comunicação e um jogo de egos feridos. O amor não existe. Pelo menos não do jeito que todo mundo - inclusive eu - gostaria.

Posted by emptyroom at 15:18:06 | Permalink | Comments (10)