Colorido que não engana
Quando eu entrei na faculdade, eu gostava de dizer que me sentia uma criança indo a um parque de diversão pela primeira vez na vida. Ela quer ir em todos os brinquedos de uma vez só, mas, ao mesmo tempo, tem medo de todos eles. Essa semana fui a um parque de diversão depois de quase dois anos sem nem chegar perto de uma montanha russa, apesar de adorar esse brinquedo. Depois de horas andando sob um sol escaldante, meu grupo de aventura parou para um merecido descanso e foi então que me veio a idéia de que um parque de diversão não é só como entrar numa faculdade que teste seus paradigmas, mas é como um monte de partes, de momentos, da vida.
A montanha russa, por exemplo, é um clássico. Altos e baixos e voltas de cabeça para baixo. Isso é muito adolescência - considerando, é claro, que as pessoas são adolescentes até os 24 anos, como eu li em um artigo uma vez. Tudo começa com uma subida aterrorizante que parece não terminar nunca: é o êxtase de se ver amadurecendo e crescendo. O ponto de vista muda. E, de repente, as decepções chegam. E por algum motivo, tudo é sentido muito mais intensamente, como se sente dentro de um carrinho descendo aos trancos longos metros de trilhos.
Tem o elevador, ou a torre, ou seja lá o nome que se dê pra esse brinquedo no parque que você vai. Do chão, você olha a ponta do brinquedo e nem parece tão alto assim. Você senta, fecha a trava e tem a certeza de que não vai ser horrível. E o carrinho começa a subir, subir, subir. O mundo fica pequenininho lá embaixo e você se pergunta porque foi fazer isso. São as decisões que você toma precipitadamente e não consegue calcular direito as consequências. Mas calma que uma hora a descida acaba e você volta ao chão.
A roda gigante é a ilustração da tese de que depois de uma fase muito boa vai haver uma fase muito ruim. Pra depois voltar a fase boa e assim por diante. Nenhuma felicidade é eterna, assim. E as xícaras são que nem se apaixonar: tudo gira rápido demais, tão rápido que você só vê cores em volta e a pessoa sentada na sua frente. E a “Montanha Encantada” (aquele barquinho que entra num túnel enfeitado de bonequinhos bobos que cantam” uma música ruim) é que nem investir num relacionamento por puro carinho. Bonitinho, doce, mas sem emoção e sem graça nenhuma.
Às vezes dá vontade de largar toda a intensidade de um parque de diversões e simplesmente voltar pra casa, colocar o pijama e ver 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você comendo brigadeiro deitada na cama. Mas ainda é dia, o sol brilha e não há filas. Enjoy it!
Roda-mundo, roda-gigante, Roda-moinho, roda pião. O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração.