Tuesday, December 5, 2006

Às avessas

Às vezes, pode demorar muito tempo pra você tirar a lição sobre algum erro. Demora mais ainda se você resolve insistir nesse erro e tenta consertar as coisas e fica, cegamente, se jogando contra um muro pensando que ali se esconde uma porta já aberta. Enquanto isso, o caminho de volta vai sumindo, como as migalhas de pão de João e Maria, e quando você vê, já está perdido na floresta. E quando você vê, está enjaulado por uma bruxa dentro de uma casa de doces que, obviamente, te atraiu pra ela como uma criancinha que não pode ver chocolate pela frente.

Às vezes, demora pra entender um conceito, pra enxergar a falha, pra perceber de onde vem o vazio. Ficou lá atrás. Não, criança, já ficou tarde pra voltar, as migalhas já foram digeridas pelos passarinhos. Tem outra na sua casa, dormindo na sua cama, pintando as paredes de amarelo, destruindo os porta-retratos com as suas fotos.
 

Bem-vindos à pós-adolescência, quando as coisas só fazem sentido depois de ser tarde demais. Ficou escuro e não tem lua nenhuma brilhando no céu. Era uma estrela-cadente? Seu pedido já foi realizado, toscamente usufruído e já está na vez do próximo. Rumo ao futuro ou à espera? Me diz o caminho de volta no tempo…

Posted by emptyroom in 19:11:35
Comments

4 Responses

  1. Gustavo Pizzo says:

    metáforas, metáforas,…Essa é a Elea de sempre. E se é a de sempre, é porque algo ela traz desde o princípio, antes de trilhar o caminho de João e Maria.
    Mas por que o caminho não lhe adicionou experiência? Afinal, pode ser a Elea de sempre, mas suas metáforas estão mais belas, não?!

  2. Fernanda G says:

    Ai Elea…sabe o que será pior?! Se os dedos começarem a ficar gordinhos… aí sim não terá volta…até então…vc pode tentar fugir… msm que pensando errar o caminho…poderá chegar em algum lugar melhor…

  3. Roliço says:

    Pessoalmente, e dando pitacos muito chatos, eu não acho que é pós-adolescência. Pelo menos pra mim. Eu acho que é um curso natural. Não acho que foi um grande e único despertar; acho só que foi acordar de um belo sono, e um belo sonho também. Dói ver que ele acabou, às vezes a gente tenta sonhar ele de novo, às vezes tenta esquecer o mais rápido possível, se distrai com outra coisa… Mas não adianta voltar pra buscar a mesma coisa, porque exatamente igual nada será. Porque você já mudou. Não vai ver o mesmo garoto do mesmo jeito; não vai usar todas as mesmas metáforas (todas, porque tem algumas que eu não sei até hoje como eu criei com catorze anos); não vai mais marcar o caminho com migalhas de pão.

    Olha, a minha vida toda foi um apanhado de realidades; eu vivia, e depois de seis meses acabava, eu ficava vazio. Um mês após, eu mergulhava de cabeça em outro sonho, que acabava em um semestre também. Deixava a casa pra trás e só me preocupava depois com ela. E sabe o mais importante que eu tirei disso? Que o que importa é mergulhar mesmo. Explorar o fundo do oceano. Vai de cabeça, porque o vazio que dá quando acaba é sinal de que estava cheio. Cheio de quê, meu Deus? Cheio de vida. Cheio de sentimento, cheio de importância pra você. Quando se acaba um livro, um semestre, um relacionamento, um dia no parque… fica aquela sensação de quero mais… mas se você voltar no outro dia pro parque, reler o livro, refizer o semestre ou tentar ter o mesmo relacionamento não vai dar, porque se evolui. Isso é bom; a vida não é uma coisa estagnada.

    Portanto, se for pra deixar a casa pra trás, com seus retratos antigos, suas músicas de adolescente, sua cama e suas paredes, deixe. Deixe mesmo, arranje outro lugar. O sentimento de acolhimento a gente leva (e também recebe) e qualquer lugar pode virar sua nova casa. Mas nada de extremismos; às vezes eu volto pra fazer uma visita à minha antiga morada… Prova disso? Mês passado eu fui assistir um musical, feito com as pessoas que mais mudaram a minha vida. Qualquer dia eu te conto.

    Beijaço

    Roliço

    PS.: eu preciso de limites de caracteres!!

  4. Rafael says:

    O caminho de volta não existe mais, porém vc continua sendo uma criança dentro da casa da bruxa. A criancinha vai engordar um pouco, mas continua como criança. Isso é que deve ser levado em consideraçãO em seu texto, não o fato da migalhas terem apagado o caminho ou haver outra dormindo na sua cama.

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