Pensando em ser roteirista 2
Moça- Você tem mais alguma coisa pra me falar?
Moço- Acho que não. Acho que já falei tudo. Você tem?
(Moça pensa no silêncio: Tenho um milhão de coisas, tenho tanta coisa que nem sei como falar. Tenho que te pedir desculpas até perder a voz e você me aceitar de volta. Tenho que te implorar pra voltar porque nada faz sentido se a gente não está junto e nada fez sentido desde aquele sábado à noite em que eu te disse adeus, tentando ser tão sincera, mas tão sincera que acabei mentindo e perdendo minha própria verdade. Porque minha verdade é o que eu sinto e o que eu sinto é imutável. E agora me dói, me dói ouvir que tem alguém na sua vida, tomando o lugar que eu queria pra mim, o lugar que eu não quis ocupar por ter sido imatura demais pra perceber que o príncipe já tava ali na torre pra me salvar e eu queria continuar dormindo, num mundo de sonhos inexistente. Me deixa voltar, me diz que não é tarde demais, que você ainda sente o que eu sinto, que causo os mesmos sintomas, que você se sente com doze anos de novo quando está comigo e que ninguém mais faz isso com você. Hoje ainda é noite de Natal. Eu só preciso ouvir uma palavra, que aí eu vou saber que as coisas vão voltar pro lugar delas e que não estou sozinha de novo pra consertar minha bagunça porque eu simplesmente não consigo fazer isso desse jeito. Não me faça ir embora, não me faça desistir, não me faça te esquecer de novo. Já fiz isso, mais de uma vez, e voltei pro mesmo lugar e nada deu certo. Você tem que me dar outra chance, porque todas as chances que eu dei pro mundo longe de você foram jogadas fora...)
Moça- Não, não tenho nada. Vamo que eu abro o portão pra você.
Claro que desisti de novo. Era só uma cenazinha que me veio na cabeça ontem de madrugada. Se ela não fosse tão real, ia ser mais fácil. Mas 2006 realmente chega a seu fim. Não que nem 2005, porque 2006 não deixa nada pendente. Já gritei o que tinha pra gritar, já falei de inúmeras formas o que eu tentei calar em mim, já fiz besteiras demais, já me arrependi demais pra quem diz que nunca se arrepende de nada. You’ve got to leave it behind. There’s no shame in giving up. Mas ano que vem tudo vai ser diferente…