Sunday, November 26, 2006

Hoping for the best, but expecting the worst

“É incrível a clareza que vem com o ciúmes psicótico.” (George, no filme Casamento do Meu Melhor Amigo)

Não basta já ter a consciência de tudo que joguei fora no começo desse ano. Ainda entra uma segunda mocinha no meu conto-de-fadas para viver feliz pra sempre com o príncipe. O príncipe que eu não deixei que me ajudasse a descer da torre. E quando fui descer sozinha, eu caí feio e me quebrei em mil pedaços ao atingir o chão.

E ontem lendo um caderno abandonado, achei um texto de dezembro de 2005: “Dois anos e meio me ensinaram muito e da forma mais difícil. Não foram suficientes, porém, para me fazer mudar de atitude. E eu preciso mudar. Mudar não por ele. Mudar por você e, consequentemente, por mim. Mas neste ano já está tarde demais.”

E agora o ano acaba tão confuso e no meio do caminho quanto o anterior. Mas é hora de começar um caminho novo, ou tentar retomar o antigo, encontrando alguma forma diferente. Sem atalhos e sem mudanças repentinas de planos dessa vez. Tudo que tentei fazer pelo príncipe foi em vão, porque a atração exercida pela novidade foi maior do que minha maturidade diante do abismo de um sonho.

E como convencer que agora é de verdade e não de verdade de momento que nem foi antes? Como faço isso, se nem eu mesma acredito em uma outra verdade que agora me contam só porque antes era de momento?

Só me diz que não é tarde demais.

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Thursday, November 23, 2006

Fugindo do tema (ou Fazendo Digressões)

Às vezes você lê um texto e fica com a impressão de que estão falando exatamente sobre o que você pensa, sente ou defende, só que de uma maneira muito mais fiel e bonita do que você conseguiria exprimir. Tem quem diga que isso demonstra um egocentrismo disfarçado. Eu dizia isso, pelo menos, até começar a pensar que essa identificação com textos alheios pode ser sinal de que todo mundo tem muito mais em comum do que imagina.

Charles Schulz, por exemplo, deduz que o sentimento humano universal é o desolamento, um pessimismo diante do mundo, combinado com um fio de esperança que sobrevive por mais visível que se mostre a maldade. Daí, o autor constrói os personagens do Peanuts baseados nesse paradoxo da humanidade, criando diferentes representações desse desolamento, o que faz com que sempre haja algum personagem com que o leitor se identifique.

Eu fugi totalmente do que eu queria falar nesse post. Eu ia dizer que já perdi a conta de quantas vezes me identifiquei com um personagem em alguma narrativa ou li um texto alheio que dizia exatamente aquilo pelo que eu estava passando naquele momento. Já copiei inúmeros trechos de romances, já citei muitos autores, já vi meu reflexo em muitas identidades de ilusão. Só que NUNCA encontrei uma passagem que falasse sobre um sorriso, dissesse sobre a magia de um sorriso e descrevesse tudo que me vem quando a pessoa certa sorri pra mim. Não que isso que me vem seja algo extremamente singular, nem que eu já tenha lido muita coisa. Só que achei estranho. De qualquer forma, fica pro post seguinte a idéia de escrever sobre um sorriso que colore o dia.

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Friday, November 17, 2006

Murphy quebrando paradigmas

Acho que todo mundo, se não quase isso, já se sentiu extramamente azarado durante uma determinada fase de sua vida- além de que há pessoas que insistem que sua vida é composta por uma fase única, sempre cheia de má sorte. Aqueles dias em que tudo acontece ironicamente da forma que não deveria e que tudo dá errado, mesmo quando as probabilidades de dar certo são infinitas vezes maiores. É aí que entra o mito da Lei de Murphy.

Não sei mais porque fui buscar a história de tal lei. Pensei comigo que Murphy seria o estereótipo de loser de filmes americanos numa versão radicalizada. Achei que o cara era o mais perseguido pelo destino e que o universo conspirava contra ele. Um cara infeliz MESMO porque por mais que ele tentasse, as coisas não funcionavam NUNCA. E pior é que ele ainda deveria ser uma pessoa com um caráter muito bom, o que me faria ter peso na consciência toda vez que quisesse reclamar da vida.

Mas não.

Segundo o Deus Google: “Existem controvérsias sobre a origem da Lei de Murphy. Há uma versão que diz que Edward A. Murphy, foi um dos engenheiros envolvidos nos experimentos de veículos com foguetes propulsores correndo em trilho único que foram realizados pela Força Aérea dos Estados Unidos em 1949 para testar a tolerância humana à aceleração. Um dos experimentos envolvia um conjunto de 16 medidores de aceleração colocados em diferentes partes do corpo humano. Existia duas maneiras de colocar os sensores, e um técnico instalou todos os 16 da maneira errada. Foi neste momento que Murphy fez seu pronunciamento: ‘Não importa quantas maneiras certas há para se fazer uma coisa; se houver uma errada sequer, alguém com certeza a fará’.”

Ou seja, Murphy foi só um exatóide mau-humorado reclamando sobre o erro do pobre do técnico que não sabia de que lado instalava os medidores. Se alguém tivesse dado pro infeliz um manual de instruções eficiente, tudo teria ficado bem e hoje essa lei, que acabou transmutada, com inúmeras variações e aplicada a diversas situações, não perseguiria nenhum homem pós-moderno.

Maldita tecnologia.

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Saturday, November 11, 2006

De volta pra casa

“Que que você ainda tá fazendo dormindo???” Essa não é a frase mais agradável para se ouvir ao acordar. Você levanta num salto, veste a primeira roupa que encontra sem nem saber se vai fazer frio, finge que toma um leite no café e sai correndo.

“Droga de trânsito. Droga de seminário. Droga de celular que não desperta alto o suficiente.” Reclamações (ou Gabrielices, para quem é integrante de uma determinada classe de Jornalismo) mentais não resolvem muita coisa. A única coisa que adianta é o juramento de dormir melhor na semana seguinte. Ainda bem que já é sexta.

A volta solitária, sem nem a companhia de um livro, desencadeia pensamentos que já estavam distantes. Acontece que, mais cedo ou mais tarde, tudo some. Resta um nada, resta um vazio, resta um espaço. A indiferença guarda um toque de rancor, mas sorriso nenhum fica mágico de novo. Alguém passou, está ao meu lado, conversa comigo: Ninguém? Eu tive escolha, mas mesmo assim não soube. Fingia não ver a outra alternativa, aquela que me salvaria, só pra poder me jogar bem alto do precipício e ver se, na sorte, eu não acabava voando. E caí na correnteza fria e tremi de medo e gelo durante a noite. Só que ninguém me viu ali.

Até que o sono acaba e o ônibus se encaminha ao terminal. E a chegada é seguida por uma longa tarde, passada junto daquela que nunca é ouvida, mas que daria a vida só por mim. Voltei pra casa. Pela primeira vez, em oito meses, realmente me sinto de volta.

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Tuesday, November 7, 2006

Querido diário

O último feriado não poderia estar mais bem inserido no ano a que pertence. O ano que vai chegando ao fim e ainda não consigo imaginar como fazer um balanço sobre tudo que ele me trouxe e me levou embora. Cada pessoa, cada sorriso, cada momento mágico, triste, tenso. Um ano de muitas músicas repetidas e ciclos intermináveis. Mas ainda não é dezembro, apesar de estar quase lá, e não é hora de falar sobre nada disso.

Comparar JUCA e BIFE é inevitável. As lições aprendidas no primeiro são três: se te oferecerem bala, pergunte se é doce; se oferecerem bebida, pergunte se tem álcool; se for sentar, olhar antes. O BIFE mais confirma do que ensina. Confie no seu senso de direção, mesmo quando você não tem um muito confiável, ao invés de achar que os nativos sabem todos os caminhos da cidade só porque moram ali. As pessoas criam senso de justiça e fazem brotar um altruísmo digno de um messias qualquer quando elas querem fugir de algo, mesmo sem entender direito o que é esse algo, e não sabem como e nem porquê. E os homens são, no mínimo, estranhos.

Mas ano que vem é outro ano e assim, outro BIFE. E lá estaremos de volta, vivendo toda tensão de novo. Repetindo: essa vida extremista ainda acaba comigo.

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