Saturday, October 28, 2006

28 de outubro

28 de outubro de 2002, 2003, 2004, 2005. Faz frio, o céu fica feio, às vezes chove ou garoa. Mas não no 28 de outubro desse ano. O sol brilha bonito, trazendo toda aquela pureza que me dá raiva de tão nostálgica que é, e a ausência de nuvens deixa ver a presença de um azul consolador que diz “Calma que tudo toma seu devido lugar uma hora”.

Meia-noite bateu e lá estava uma parte muito significativa das pessoas que mais me fizeram bem. Eram todas recentes em minha vida, com exceção daquele que conheço a vida inteira. Um abraço, dois abraços, três e assim por diante. Sinceros quando espontâneos mas nunca menos calorosos. As doses de água do rio Lethe não foram tão numerosas quanto os abraços, mas foram mais do que o suficiente para dar um tempero diferente e familiar, ao mesmo tempo.

Uma conversa nonsense, cenas nonsense, pessoas divertidamente nonsense. 5, 6 da manhã e é hora de voltar à realidade. Carro de amiga sempre cabe mais um, cama de amiga sempre cabe mais um.

Daí todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem. Isso nunca pareceu tão certo. Ainda assim, a noite e o amanhecer do meu aniversário não eram tão interessantes há tempos. E o mundo tem sentido novamente.

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Tuesday, October 24, 2006

dúvida

E qual o objetivo de se ter um blog se eu não me sinto mais livre pra escrever tudo o que eu bem entender??
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Sunday, October 22, 2006

Um dia bonito lá fora e…

Eu sou um acessório que parou de funcionar. Um bibelô fora do lugar, incomodando a estética do resto da sala de estar. Um detalhezinho, um mero detalhezinho que não deu muito certo, mas tanto faz. Afinal, é só um detalhe que não será consertado porque o tempo não volta e uma escolha é feita uma única vez.

I want to leave. You will not miss me.

E às vezes a gente deixa ir embora tudo, só pra se proteger. E de repente o mundo se impregnou de um rosto que partiu, se encardiu de um nome que já apagou.

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Thursday, October 19, 2006

Entre aspas

A paixão quer sangue e corações arruinados e saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago. Só que este ano o verão acabou cedo demais. E nem o céu é belo e prateado e o que eu era eu não sou mais. Triste coisa é querer bem a quem não sabe perdoar. E eu queria que o tempo pudesse voltar dessa vez. Mas, meu amor, se quiseres voltar, volta não, porque me quebraste em mil pedaços. Tudo acontece ao mesmo tempo, nem eu mesmo sei direito o que está acontecendo. Mas não esconda tristeza de mim. Todos se afastam quando o mundo está errado.

De você fiz o desenho mais perfeito que se fez, os traços copiei do que não aconteceu. Nossas acusações infantis e palavras mordazes que machucam tanto não vão levar a nada, como sempre. Só nos sobrou do amor a falta que ficou. Vai, se você precisa ir, não quero mais brigar esta noite. Hoje fiquei com febre a tarde inteira e quando chegar a noite cada estrela parecerá uma lágrima. Está um dia tão bonito lá fora; e eu quero brincar, mas hoje não dá. Hoje não dá: vou consertar a minha asa quebrada e descansar.

Mas vou guardar o meu tesouro caso você esteja mentindo. Sempre as mesmas desculpas e desculpas nem sempre são sinceras; quase nunca são. E nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz. Alguém falou do fim-do-mundo, o fim-do-mundo já passou. 

É saudade,então. Vamos fazer um filme.

Eu adorava Legião quando eu era criança. Parar pra ler letras de bandas que você esqueceu é interessante, às vezes. Ainda mais quando você pode juntar as partes que você mais gosta num único post.

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Sunday, October 15, 2006

Desabafo meloso e pessoal (mas do mesmo jeito postado)

Isso não deveria ser um post. Acho que isso é mais conteúdo pra email, conversa no msn, tel ou pessoalmente, ou mesmo pra um depoimento no Orkut. Mas esse é meu blog e é aqui que eu me refugio quando não sei lidar direito com alguma coisa.

Eu jurei, jurei pra você e pra mim mesma que dessa vez ia ser diferente. Eu nunca ia deixar a melhor pessoa do mundo ir sumindo gradativamente da minha vida, eu ia proteger nossa amizade acima de tudo, não ia ter correria que distanciaria nós duas. Até que o ano letivo começou, veio a bagunça e um turbilhão de novidades à minha frente e pronto: a Elea ficou perdida. Mais perdida ainda porque de repente eu não te via mais todos os dias, eu não tinha ataques de bobeira perto de você, não tinha uma Marília pra colorir meus dias e me fazer acreditar que a pureza da amizade de duas menininhas de 8 anos podia existir também numa amizade de duas “menininhas” dez anos mais velha.

Mas, sabe…Eu ainda acredito nisso. Acredito em nós duas, porque seu sorriso é a coisa que mais me faz falta. Suas broncas sem jeito, as vezes em que você discordava de mim, as muitas vezes em que a gente se sentia o reflexo uma da outra, nossos planos, nossas crises, nossas longas conversas no msn, no telefone, nas tardes na praia ou nas madrugadas ou mesmo nos 15 minutos de intervalo. Me refugiar do teu lado na sala de aula era uma das coisas mais reconfortantes do mundo. Não ter que falar nada e mesmo assim já dizer tudo que eu preciso num silêncio quase que mágico. Saber que simplesmente você sabe o que eu sinto, mesmo que em toda minha confusa eu não consiga explicar.

Não sei se é o mundo que é cruel demais e faz isso com nós duas. Só sei que minha saudade é tanta, mas tanta que eu nem sei direito como agir quando tenho oportunidade de fazer isso ir embora. Eu me prometi, jurei pra mim e pra você que nunca ia deixar você se sentir sozinha, que iria estar ali por perto o tempo todo e tentando te segurar na hora em que você perdesse o equilíbrio. Mas acho que não tenho conseguido ser a pessoa mais eficiente nessa missão e a culpa é toda minha. Você merece a melhor amiga do mundo e eu olho pra mim e me vejo uma pessoa comum demais, porque não consigo consertar as coisas e não consigo te fazer perceber o quanto eu amo você. E daí eu me vejo chorando lendo os testimonials que te deixei e que você deixou pra mim. Não importa o quanto eu faça besteira na vida e o quanto eu mude, no fundo sempre vou me procurar em você e te procurar em mim.

E esse texto/carta/sei-lá-o-quê não vai ter uma conclusão nem final, porque não sei como isso fica e não sei o que fazer pra mudar. Só queria que você soubesse.

And she’s my friend of all friends, she’s still here when everyone’s gone. She doesn’t have to say a thing, we’ll just keep laughing all night long, all nithg long.

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Thursday, October 12, 2006

Tentativa de post frustrada

O dia mais esperado do ano quando eu era mais nova nunca foi meu aniversário e muito menos o Natal. Eu queria era o Dia das Crianças. Era quando eu menos pensava em crescer, porque ter um dia para se ganhar presentes só por ser pequena era muito divertido. Mas o tempo sempre passa mais rápido do que você espera e daí você cresce.

E todo parque ou playground que você vá, tem uma plaquinha dizendo “Idade máxima permitida: 10 anos”. Tudo bem que isso varia, mas é só questão de 10 ou 6 anos a mais do limite.

Você deve ser responsável, estudar, arrumar um emprego, chegar sóbrio em casa, ir à Igreja aos domingos, ir às festas de família, tirar 10 nas provas, entrar numa faculdade boa, esconder a raiva, calar o ódio, mascarar a tristeza, sorrir como hipócrita, falar pateticamente sobre nada, economizar o 13º, comprar, comprar, comprar, jogar todas as porcarias do passado no lixo, pintar as paredes com cor pastel, abrir o guarda-chuva na tempestade de verão, brigar pelo dia em que vai tirar férias, assistir ao jornal, votar em alguém de quem nem gosta tanto, ter carteira de motorista, transfigurar-se no trânsito, reclamar conformadamente, arrumar a cama, lavar a louça do café, ter alimentação saudável, evitar friagem, não demorar no banho, ficar feliz quando completar anos, arrumar um namorado (a), ficar noiva (o), casar, ter filhos, ter netos, se contentar com uma aposentadoria que não paga o seguro, fechar os olhos e morrer docemente durante o sono.

Comecei esse texto pensando em falar sobre as coisas legais da infância, mas essa tentativa tosca de fluxo de consciência me levou para o caminho oposto. O post sobre balanças, brincadeiras, bonecas, gargalhadas e rosto melecado de chocolate vai ter que ficar para algum outro dia.

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Saturday, October 7, 2006

Reescritura de uma palestra

Cheguei atrasada. Só uns 20 minutos, mas foi o suficiente pra que eu saísse de lá ainda sem saber seu nome. “Afe, hoje vai ser um tédio!”. Assim parecia devido à aparente falta de assunto que o centro das atenções demonstrava. Ele pedia perguntas, hesitava às vezes, ia falando pensando que não deveria estar contando aquilo, na verdade.

As tentativas do meu professor de fazer com que o foco da conversa voltasse aos tópicos da disciplina eram um pouco frustradas. Até porque era muito mais interessante ouvir o ser estranho à aula contar sobre as vezes em que ele conseguiu prever o futuro, mesmo na brincadeira, ou então sobre o modo como ele transformou seu estúdio de criação em uma cela. É porque ele tinha que se libertar na hora de criar.

Bem mais cedo do que o normal, a aula foi encerrada. Antes, porém, o convidado pede pra “só falar mais uma coisinha”. Daí ele começa com o clichê “Vivam intensamente!”. Mas aos poucos, ele vai se explicando e dá uma conotação diferente. Ele quer que a gente viva tanto as partes boas quanto ruins da vida, na mesma e constante intensidade (apesar que isso veio da boca de um cara com tendências depressivas assumidas). Depois você deve escrever pra você mesmo, deve escrever aquilo que você não consegue guardar. Mesmo se para poder fazê-lo você tenha que se trancar num quarto fantasiado de cela.

É a sua gaiola. Você está livre pra fazer o que quiser, sem se enganar, pelo menos por algumas horas. Lourenço Mutarelli. É esse o nome do paulistano na casa dos 40 que fuma “escondido” e usa um all star azul (porque rosa só o Laerte). Artistas são os seres mais legais que existem.

 

Texto inspirado nos exercícios que os alunos da optativa da Folha precisam fazer. Mas dessa vez escrito de uma cela pessoal.

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Thursday, October 5, 2006

Indícios

“Há uns vinte anos (na ocasião já se conheciam há alguns meses), ela havia ameaçado suicidar-se se ele a abandonasse. Franz ficou encantado com essa ameaça. Não que gostasse tanto de Marie-Claude, mas o amor que ela lhe dedicava parecia-lhe sublime. Achava-se indigno de um amor tão grande e pensava que devia inclinar-se profundamente diante dele. Inclinara-se, portanto, até o chão e se casara com ela.” (Kundera)

Ela não dormia e não tirava a imagem da cabeça. Teve briga, teve choro, teve frieza e depois tinha festa. Daí teve álcool, teve química e teve um dia que ainda se repete num universo paralelo. Só de saber disso, já pensa em voltar às ameaças, apesar de estar relativamente segura.

Tinha uma criança brincando com um brinquedo. Só que brinquedos perdem a graça e a criança o deixou jogado e quebrado no meio da rua. Uma segunda criança chegou e começou a brincar com o brinquedo rejeitado; sorria, girava e coloria seu mundo com todas as cores da galáxia. Quando percebeu isso, a primeira criança, que sempre fora mimada demais, começou a espernear, chorar, berrar, até perder o fôlego, até subir o sangue ao cérebro, até não ter mais voz. Foi só chegar muito perto da janela e pronto: estava de volta às suas mãos seu objeto de possessão mal-amado.

Ela lutava contra a memória, contra suas próprias palavras e atitudes. Não fora um erro, portanto, era só orgulho, só um ego machucado demais para perceber que não significava nada. Mas as pessoas vendam os próprios olhos e se rendem às próprias mentiras. “Como uma coisa tão pequena podia incomodar tanto? De novo, de novo e de novo?”


It started out with a kiss
, how did it end like this? It was only a kiss…

Posted by emptyroom at 18:26:44 | Permalink | Comments (3)