28 de outubro
28 de outubro de 2002, 2003, 2004, 2005. Faz frio, o céu fica feio, às vezes chove ou garoa. Mas não no 28 de outubro desse ano. O sol brilha bonito, trazendo toda aquela pureza que me dá raiva de tão nostálgica que é, e a ausência de nuvens deixa ver a presença de um azul consolador que diz “Calma que tudo toma seu devido lugar uma hora”.
Meia-noite bateu e lá estava uma parte muito significativa das pessoas que mais me fizeram bem. Eram todas recentes em minha vida, com exceção daquele que conheço a vida inteira. Um abraço, dois abraços, três e assim por diante. Sinceros quando espontâneos mas nunca menos calorosos. As doses de água do rio Lethe não foram tão numerosas quanto os abraços, mas foram mais do que o suficiente para dar um tempero diferente e familiar, ao mesmo tempo.
Uma conversa nonsense, cenas nonsense, pessoas divertidamente nonsense. 5, 6 da manhã e é hora de voltar à realidade. Carro de amiga sempre cabe mais um, cama de amiga sempre cabe mais um.
Daí todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem. Isso nunca pareceu tão certo. Ainda assim, a noite e o amanhecer do meu aniversário não eram tão interessantes há tempos. E o mundo tem sentido novamente.