minusculamente calada
esgotei as metáforas, esgotei os argumentos, esgotei o ânimo de fazer qualquer coisa. não me coloco ao sol porque ele faz arder, não me exponho ao vento porque ele racha os lábios, não vivo nada porque a vida faz morrer. não salto porque vou cair, não lanço os dados porque seus lados só mostram o zero, não giro porque a tontura vem e me faz perder o controle. fica tudo assim por hora. preto e branco, preto no branco, branco no preto. porque tudo é tão recíproco e tão negado e ignorado que a verdade se contrasta com todas as mentiras que guardei pra mim. um dia escrevo um livro de memórias com todas elas. já que se impôs o tabu de objeto na questão, só me resta escrever pra mim mesma e monologar nas noites sem sono e de frio solitário.
que os confetes sejam guardados pro carnaval que está tardando a chegar, mas que um dia chegará. isso é certo. mais certo que o sorriso que ilumina no silêncio sofredor com o excesso de palavras. aliás, sorriso que também tardou a chegar. e apesar do eterno retorno, ele se recusa a ir embora agora. já é tarde demais. muito tarde pra ir esperar na janela. muito tarde pra enfrentar a insônia. muito tarde pra querer tudo de novo, conscientemente.
e nos esquecemos da cor que tinha o céu, assim como a saudade ou uma frase perdida. durma, medo meu.