Thursday, July 27, 2006

Patos, Gatos e Galinhas

Uma amiga minha me deixou scrap esses dias pra dizer que ela tinha descoberto que era um Pato e que não queria mais ser perturbada pelos gatos e pelas galinhas. Ela explica: o pato sabe nadar e voar, enquanto gatos e galinhas não. Esses ficam desencorajando aquele de se jogar na água, de mergulhar no infinito azul, de pular precipício abaixo. Mas, que fique claro que não é por mal que eles o fazem. Acontece que eles têm medo; o gato já quase se afogou, a galinha já se frustrou batendo as asas. Eles não entendem a necessidade, o desejo e o impulso do Pato.

Quanto a mim, descobri que sou um Pato também, mas que, ao invés de ser perturbada pelo gato e pela galinha, quem os perturba sou eu. Não é porque eu quero nadar, voar, mergulhar, me jogar etc, que todos ao meu redor têm que fazer e buscar a mesma coisa. Tento convencer o gato e a galinha a largar a segurança do galinheiro/almofada e sentir o vento no rosto e a brisa em alto mar. Preciso entender que as pessoas não são todas iguais e enquanto umas querem a segurança, outras não. Realmente não vejo sentido em viver um amor de novela das 6 se posso me perder numa paixão tão grande quanto um oceano. Mas é questão de escolha.

Não posso obrigar as pessoas a largarem sua comodidade para ir sentir o dia bonito que está lá fora. O problema é que o conformismo e a covardia do gato e da galinha me irritam. Eu não entendo os motivos para não seguir os impulsos. Medo, eu tenho, todo mundo tem. Só que realmente não concordo em não enfrentar esse medo, porque meu medo maior é de deixar o tempo passar e depois lamentar o que desperdicei.

Mas nada disso prova que eu estou certa. Provavelmente a errada sou eu. É questão de indução.

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Monday, July 24, 2006

Civilização no lugar de biscoitos

No caminho do meu inglês, eu sempre passava por uma casinha de esquina que tinha a maior cara de casa-de-vó do mundo. A pintura dela era antiga e não tinha garagem nenhuma ali; ao invés disso, tinha um quintal grande o suficiente pra comportar duas árvores bem espaçosas. Ele era de terra, nada de piso ou cimento. O muro baixo e o portão de grades deixavam à mostra a porta de entrada entalhada, as janelas sempre abertas e um jardinzinho de margaridinhas brancas (que não chamam “margaridinhas brancas”, mas eu esqueci o nome de verdade). Dava pra ver também as cortinas rendadas e um tapete escrito “Bem-Vindos”, bem à porta.

Era uma das únicas imagens interioranas de São Bernardo que faziam eu me sentir bem e não ter vontade de morar na civilização de verdade. Eu sempre queria tocar a campanhia pra ver se a pessoa que morava lá era tão velhinha, simpática e gentil quanto eu pensava e, depois de trocarmos algumas palavras, entrar pra tomar um chá, comer biscoitos, ver fotografias antigas e ouvir histórias da adolescência de meio século atrás.

Mas daí, veio o homem e aquilo que ele chama de urbanização desenfreada. Tudo cresce muito rápido, têm muita gente em todo lugar, precisando ir pra todos os lugares. Surge um número infinito de carros. E casas bonitinhas e tranqüilas na área metropolitana são supérfluas.

Então…sábado agora passei pela esquina onde costumava ficar a casa-de-vó mais bonita que eu já vi. Não tem mais muros baixos, portão de grade, cortina rendada, árvores espaçosas, quintal de terra e margaridinhas brancas. Tudo derrubado e os restos já foram jogados pra baixo de algum tapete. A casinha vai dar lugar pra um estacionamento, ainda em construção.

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Saturday, July 22, 2006

Go ahead and Jump!

Ontem, 20 de julho, foi o Dia Mundial do Pulo. Lindo, não? Alguns amiguinhos nerds se juntaram em uma tarde ociosa e começaram a divagar nas idéias (qualquer semelhança com a ECA é mera coincidência). Eis que um deles tem um estalo mental e diz “Hey, o que será que ia acontecer se as pessoas do lado ocidental do mundo pulassem juntas?”. “O mundo vai se deslocar da sua órbita, se distanciar do Sol e será o fim do aquecimento global!!”. Era óbvio, poxa. Mas como fazer um número suficiente de pessoas pular ao mesmo tempo para deslocar a Terra?

E daí, a solução vem com o maior meio de comunicação de massa da pós-Modernidade: a INTERNET!!!

Eles criaram um site, explicando a teoria fajuta, como se ela fosse séria, e divulgando o World Jump Day. Tinha contagem regressiva, cadastro dos adeptos, videozinhos com entrevistas falsas, flash do mundo se deslocando depois de uns bonequinhos pularem. Eu mesma recebi dia 19, via email, um lembrete do meu compromisso importantíssimo às 7h39 (horário de Brasília). 600,248,012 pessoas se cadastraram no site como “jumpers”.

Além de salvar o problema climático do planeta, o pulo em massa, caso desse certo, iria fazer com que o dia passasse a ter 32 horas. E eu sempre quis que meu dia tivesse 32 horas (não necessariamente 32, mas tendo mais que 24 já tava ótimo). Claro que acordei cedo ontem. Mas não, não pulei. Acabei esquecendo e quando vi tinha passado 8 minutos do horário certo.

Pode ser que tenha sido meu pulo ausente (momento egocêntrico), mas, infelizmente, não funcionou. O inverno continua com cara de verão aqui, os europeus estão fritando e eu vou reclamar mais vezes que estou sem tempo pra nada. Mas que a idéia dos nerdizinhos era boa, ninguém pode negar!

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Thursday, July 20, 2006

As lembranças que se explodam!

Hoje minha mãe chegou feliz em casa dizendo “fulano mandou lembranças pra você!”. Foi a primeira vez que reparei como essa expressão é sem sentido. Fiquei tentando achar uma explicação de onde ela possa ter surgido, sabe?

Eu não tenho problema de memória e lembranças é o que não me falta ultimamente, pra minha insatisfação. Ele pode ter tido a intenção de dizer que se lembrava de mim, claro. Mas, mesmo se for esse o caso, seria muito mais simpático ele me mandar um beijo ou abraço e dizer pra eu aparecer de vez em quando.

Logo que ouvi o recado da minha mãe, não pude conter um sorrisinho irônico que apareceu no meu rosto. Eu queria pegar todas as minhas lembranças e guardar numa gaveta. Daí era tudo mais fácil: eu só abria e lembrava as coisas quando eu quisesse. Não ia ficar tentando controlar meu maldito cérebro que ao menor sinal de chuva resgata uma quarta-feira feliz.

Aí chega um infeliz e me manda “lembranças”…Ahh que explodam as lembranças!!! Já tenho o suficiente, obrigada.

 

(umas três horas depois de ter criado esse post). Droga…lembrei de uma coisa agora. O jeito como eu ganhava o dia só de ver ele vindo na minha direção com um sorriso no rosto.

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Saturday, July 8, 2006

temporariamente fora do ar

Acho incrível a capacidade que as pessoas têm em ignorar fatos e palavras e assassinar sentimentos. Mais incrível é eu ainda achar isso incrível.

Preciso de um tempo disso tudo. Que meu blog não se sinta abandonado, já que as vezes em que me senti abandonada, eu vim pra essa página escrever e jogar pensamentos desconexos nesse quadradinho de postar. Férias de mim mesma, antes de qualquer coisa.

Semestre que vem eu volto a pensar…por hora, vou virar uma pedra de fora pra dentro (já que a lontra-surda é um projeto perdido mesmo).

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Tuesday, July 4, 2006

Briga com o telefone

Momento “Eu sou mais forte do que o telefone!”. Ou então, “Eu sou mais forte do que minha vontade de ligar só pra ouvir uma voz responder coisas tristes pras minhas agonias”. Que diferença faz e que diferença fez?

Saliva desperdiçada, insistência jogada fora, noites de insônia em vão. Foi tanta em coisa em vão dessa vez que já é impossível palpar aquilo que realmente teve valor.

É como se você fosse fazer uma entrevista de emprego e o cara falasse: “Você é exatamente o profissional que nós estamos procurando, mas nós vamos simplesmente contratar algum incompetente no seu lugar. Daí, quando tudo der errado, a gente te chama e você tenta consertar tudo.”

Não, eu não mereço isso. Pelo menos é o que tanto falam. Mas, sabe como é, já foi TAAANTA coisa dita em vão, que não tenho mais certeza no que é que posso acreditar.

“You left me on the shelf, now there’s no one to rely on. If it’s all the same to you, here’s what I’m going to do: I’m going to buy a gun and I’m going to shoot everything, everyone and then I’m coming for you, ‘cos it was you that drove me to. This could be the last train.”

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