Friday, June 30, 2006

metáfora é um vício

Você olha abismo abaixo e vê o mar. O vento vem e você vai de encontro a ele. Mergulha nas águas voriginosas esperando se afogar. Acontece que você não se afoga: fica ali, engolindo litros e litros de água salgada, engasgando a cada gole, pedindo para o mar lhe engolir.

Você quer mergulhar e se perder, você quer voar e desaparecer entre as estrelas. Mas o empuxo lhe joga de volta à superfície e a gravidade lhe põe os pés no chão. E é assim que você lembra que o universo não é mágico e colorido e leve e bonito e só feito de sorrisos. É quando você quer gritar até emudecer, chorar até desidratar, girar até perder o senso da realidade.

Sim, eu quero a lua do céu e a lua do mar. E nessa falta de indecisão que tenho, me resta o consolo niilista, por querer a imensidão do horizonte inalcansável. Estou virando pedra de fora pra dentro, mas querendo começar tudo de novo. Dessa vez do jeito certo, claro.

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Tuesday, June 27, 2006

pensando em ser roteirista

(A Moça fala e o Moço obviamente fica calado)

-Dá uma boa olhada em mim agora. Olha pra mim. Olha e diz que tua vida tá boa, que o mundo voltou a ser bonito e a ter cores, que a insônia foi embora e o fantasma do peso na consciência não te assombra mais. Que tudo voltou a ser como era antes, que não havia mudanças, no fim das contas, que o sorriso é leve e infantil de novo. Que as palavras não foram em vão porque valeram no momento, mas agora perderam esse valor, como uma moeda antiga vira só um pedaço de metal depois que uma moeda nova tá valendo. Olha bem pra mim e diz que a felicidade completa foi reconquistada, que não têm mais auto-traições, que a paixão apagou de vez, que o sentimento, senão nulo, é só carinho. Diz que a chuva não lembra mais nada além de frio e que todo mundo voltou a falar igual. Olha pra mim e diz que acabou e que tá tudo bem agora e fica repetindo isso eternamente até você se convencer da verdade das tuas próprias palavras, já que fazer isso todo dia de manhã em frente ao espelho não tem funcionado tão bem quanto o previsto e só os motivos é que conseguem ser mascarados.

(Silêncio)

Tá, desisti de ser roteirista já. Acho que vou acabar escrevendo um livro grudento e cor-de-rosa com final feliz. Ou não. Porque finais felizes são tão irreais quanto todas as palavras da fala da Moça. Ah, por que me importo tanto? Segundo o tio Baudrillard, que inspirou a trilogia “Matrix”, tudo é um simulacro mesmo. Ficar tentando fazer o simulacro ser cada vez mais real só dá errado.

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Sunday, June 25, 2006

a gravidade fica me fazendo voltar…

sentindofaltadeestarpertoinstintivamente

“this is just one of those lonely nights. the good times gonna come. In the end, we let it go away, we let it float away on the breeze.”

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Saturday, June 24, 2006

Fake a smile just to see you do the same…

uma semana já. tá vendo só: ninguém percebe.

e o que deveria ser se confunde com o que deixou de ser e as pessoas não têm coragem de admitir.

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e dane-se a translação e a rotação!

Alguém faça o mundo parar por um diazinho apenas, só até eu colocar as coisas no lugar e consertar tudo…É sério, cansei dessa brincadeirinha contra o tempo.

Ei, cronômetro! olha como eu danço num pé só-ó! olha como eu danço num pé só-ó!

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Friday, June 23, 2006

vice eterno

sabe a sensação de chegar sempre atrasada??

(eu gostava da Penélope Charmosa. e ela, na maioria das vezes, não ganhava as corridas, mas ficava no pódio. serve pra que isso, no final das contas?) 

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Thursday, June 22, 2006

deja vù

E lá vai a Elea ter 15 anos mais uma vez…

(quem disse que o tempo não volta?? o mundo gira, minha gente…roda roda roda)

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Tuesday, June 20, 2006

subordinações e conseqüências

eu quis tanto ser feliz que me fiz triste pra tentar obter uma felicidade que, no fim das contas, teria se mostrado ilusória. eu quis tanto surtar de alegria que acabei miserável e chorando todas as dores de uma vez só. eu quis tanto ser superior ao meu inimigo que, quando me olhei no espelho, vi o reflexo dele ao invés do meu. eu quis tanto me perder que acabei me perdendo no meio do caminho dessa perdição e quando vi não era mais eu há muito tempo. eu quis tanto voar que me joguei de um precipício mesmo sabendo que eu não tenho asas e acabei em mil pedacinhos. daí eu quis muito me reconstruir e acabei me fazendo surrealista.

eu quis tanto me entregar pro amor que acabei sendo levada pelo ódio e quanto mais eu amava, mais o ódio tomava conta de mim, até me desfigurar. eu quis tanto a intensidade que mergulhei nela de uma forma que devastou minha vida e aquilo que eu sempre achei que era. eu quis tanto aproveitar a bagunça que acabou a bagunça se aproveitando de mim. eu quis sair descobrindo novas sensações e conhecendo novos lugares que o que mais acabei sentindo foi um imenso vazio e uma imensa tristeza e o único lugar descoberto foi o canto de um quarto úmido e escuro dentro de mim. eu quis tanto ser livre que acabei condenada a vagar em busca de uma liberdade existente só na minha cabeça. eu quis tanto me apaixonar que acabei quebrando meu coração por não admitir que a vida não é uma comédia romântica de um filme de fim de tarde a que se assiste comendo brigadeiro. eu quis tanto ser fiel a uma paixão que surgiu inesperadamente que acabei destruindo todos os outros sentimentos bons que eu guardava dentro de mim.

eu quis tanto sorrir que nem criança que me transformei numa velha rancinza e rancorosa por ter que passar o resto dos dias sozinha a se lamentar pelos erros do passado. eu quis tanto agitar meus dias pacatos que fiz o mundo girar rápido demais e fiquei tonta. depois eu quis parar o tempo, agarrar as horas com as mãos, e fiz minha pele sangrar. eu quis tanto me cegar com a luz do dia que quando a noite chegou eu chorei em desespero por não poder ver as estrelas. eu quis tanto acordar o mundo aos gritos que perdi a voz e nem eu mesma consigo ouvir o que digo agora. eu quis tanto viver intensamente que, quando parei pra olhar, eu estava à beira da auto-destruição e, num efeito radioativo, matando as cores a minha volta. e vida em preto-e-branco foi o que eu sempre menos quis.

(calma, Elea. foi só um sonho ruim. tá tudo bem agora.)

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Sunday, June 11, 2006

mensagem de voz na secretária eletrônica

Oi. Eu nem devia tá ligando, mas eu precisava te avisar. Tô no aeroporto. Na sala de embarque, esperando dar o horário do meu vôo. Ele já tá algumas horas atrasado e a espera me faz pensar muitas coisas. Você sabe o que acontece quando fico muito tempo sozinha comigo mesma pensando, além do mais quando eu só tenho a trilha sonora de Minha Vida Sem Mim no discman. Mentira, tem uma outra música aqui também: já tô há uma hora e meia escutando No Surprises de novo…

Já despachei minhas malas. É um peso a menos pra carregar. Minha bagagem de mão é só meu discman, uma blusa de lã e um pote de Nutella. Tem uma página em branco de um bloquinho de anotação também. É o recado que você nunca me escreveu, com as palavras que se perderam no ar. Palavras bonitas de momentos mágicos que agora se confundem com frases destruidoras em momentos tristes. Algo do tipo “você me faz feliz” e “já que é assim, por que não estar com ela?”. Não sei o que é mais patético: essa dúvida ou minha insistência.

Mas agora eu estou indo embora. Tô no aeroporto, na sala de embarque, esperando meu vôo atrasado. Ou vai ver, a atrasada da história sou eu. Porque não basta eu ser a pedra, claro. E desculpa se te atrapalhei a vida. Se baguncei tudo de uma forma que derrubou as paredes e você não sabe mais o lugar antigo das coisas, porque você também mudou. Não adianta mais eu ficar na garoa da madrugada, esperando alguém abrir a porta. Eu não sou assim conformada.

Tentei te ligar pra avisar isso só: lavo minhas mãos. Meu orgulho tomou as rédeas da situação dizendo que vai deixar tudo bem. Mandou meu recém-chegado lado sentimental calar a boca porque ele já fez estrago suficiente. E não é mentira. Sou uma tartaruga escondida dentro do casco e vai demorar até eu me mostrar de novo.

Mas fique feliz. Eu tô feliz partindo. O único problema é essa droga de esperança que sempre resolve tardar pra morrer. A esperança que me faz, no fundo, achar que você vai me impedir de embarcar, bem no estilo filme de Sessão da Tarde. Mas eu sei que enquanto gravo tudo isso, você está dormindo sozinho(?) tranquilamente no teu quarto. Só espero que você não acorde tarde com vontade de me parar. Porque sua chance é agora. E só agora. E só eu sei o quanto eu queria que você não disperdiçasse o momento.

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Thursday, June 8, 2006

tá…odeio quando não sei por onde começar meu post…por onde começar a tirar a bagunça da cabeça e passar pra essas letrinhas bestas que o homem inventou pra registrar momentos. nem sei se esse momento deveria ser registrado. na verdade, isso nao é um registro. isso é um desabafo. preciso ir dormir, mas vai ser impossivel com tudo isso aqui…

é tudo muito assustador, incontrolável, complicado. intensidade em excesso faz o mundo girar muito rápido e fazer a gente ficar tonta. eu deixei tudo isso acontecer. pronto, confessei, fica feliz agora. pode me algemar e me levar presa. se bem que nao vai fazer muita diferença, porque nao tô mais livre, de qualquer forma.

queria me isolar. só que isso me persegue em todo lugar que eu vou. sempre ali, martelando, martelando, martelando. droga. em cada acorde de um cd novo, em cada palavra de um livro qualquer, em cada tarde bonita com vento gelado e um sol brilhando com uma luz tão mágica que parece ironia do mundo.

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