Sunday, April 23, 2006

Minha vida sem mim

Têm horas que você assiste a um filme, ouve uma música, lê um livro ou vê alguém dizendo uma frase bem no momento em que precisa daquilo. Parece que tudo se encaixa exatamente com o que se passa com você. Ontem à noite, tive a impressão meio inversa disso. “Minha vida sem mim” é lindo, é triste, é intenso. Só que assisti no momento errado.

Coisas para fazer antes de morrer? Sim, tenho uma lista imensa. E isso mexeu comigo. Tá, tá, tenho 18 anos, como poderia já ter feito tudo que gostaria antes de morrer, certo? Não, não tenho certeza de que isso é certo. Eu me vi ontem, como nunca tinha me visto. Senti que disperdicei grande parte dos meus 18 anos não sendo tão feliz quanto deveria.

Queria manter sempre meu sorriso de infância, minha pureza e ingenuidade de infância, meus sonhos de infância. As pessoas crescem e o mundo vai ensinando a cada um desistir de seus sonhos. E eu deixei o mundo tirar de mim muitas coisas que sei que, inconscientemente, me prometi guardar.

Não quero ter que crescer da noite pro dia, não quero me ver sem esperanças, sem acreditar nas pessoas, achando que tudo não passa de uma grande hipocresia e encenação. E não quero, principalmente, me sentir inocente demais por insistir em acreditar.

Eu preciso acreditar em algo, mesmo sem saber em quê. Um dia encontro, hoje eu procuro.

 

Obs: Acho que tenho que parar de ser tão subjetiva…

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Friday, April 21, 2006

Às vezes tudo que uma pessoa precisa é ser sincera consigo mesma, antes mesmo de ser sincera com todos a sua volta. Sincera consigo mesma e fiel a seus sentimentos. Admiro quem é fiel ao que sente, antes mesmo de ser fiel a seu orgulho ou à pessoa que está a seu lado.

 

Você odeia a flor porque ela faz o Pequeno Príncipe sentir culpa. Ela o faz conversar com a serpente para que ela o envenene e ele volte para casa. A flor se faz de vítima e, por ser frágil, com seus quatro espinhos defensores, interpreta bem o papel.

 

Mas eu não sou aquela flor. Não vou me fazer de vítima, apesar do meu vazio, da minha falta de chão, do meu choro. E mesmo se eu realmente for a vítima da história, vou me recusar a interpretar esse papel até as cortinas terem se fechado.

Eu não tenho quatro pequenos espinhos para me defender dos tigres. Eu só tenho meus olhos para me denunciarem enquanto o caos interno não termina. As palavras e os atos não me entregarão. Se quiser saber a verdade, procure nos olhos, vencendo a vergonha.

 

Não quero insistir, mas simplesmente não posso desistir dessa história. Não quero ter que desistir do meu riso de criança, do meu reflexo atrasado depois da mordida, das remedações do meu sotaque paulistano (apesar de eu não ser paulistana, claro). Quero abraços que pedem socorro, quero beijos que mostram necessidade, quero continuar me perdendo por não saber o que esperar de mim e ficar feliz com isso. Quero a tranqüilidade da presença, mesmo quando o mundo está desabando.

 

Não posso desistir porque ainda sinto. E, se tem algo de que ainda tenho certeza, é que devo ser fiel a meus sentimentos. Se eles incluem você, então eu não sei como vou fugir, simplesmente porque não quero fazer isso.

Posted by emptyroom at 15:26:40 | Permalink | Comments (2)

Riso forçado, de fora pra dentro. Sem andar saltitante, sem dancinhas e cantorias de músicas infantis, sem leveza flutuante. Passos arrastados indo pro nada. Olhar cabisbaixo e pensamento preso. Diálogos com as paredes, ouvindo eco na minha mente.

 

O mundo é engraçado, porque quer atenção. Eu posso falar sozinha porque me entendo melhor. Ninguém entende nada na verdade porque todos acham que sempre entendem tudo. E quem é sincero consigo mesmo, no final das contas?

 

O que é melhor é o certo ou aquilo que satisfaz? Porque nada me satisfaz mais do que aquilo que está me machucando, nada me acalma mais do que a perturbadora visão da incerteza, nada me cega mais do que a luz que veio como salvação contra a escuridão. Minha bússola aponta para o Norte, mas qual é a direção que eu devo seguir? Do que me adianta o Norte, se não sei para onde vou? Porque o lugar de onde vim não existe mais há algum tempo. Na verdade, ele nunca foi muito real.

 

Acho que meu problema é a falta de noção de realidade. Sempre tentei nadar contra a corrente, buscando intensidade e sinceridade, enquanto o mundo a meu redor buscava prazer instantâneo e superficial. “Pronto em 3 minutos”. É isso que todo mundo busca, não é? Praticidade.

 

Nunca fui prática, nunca fui impulsiva, nunca fui irracional, nunca perdi o controle. Perdi as contas de quantos paradigmas meus já foram estilhaçados nos últimos dois meses. E por mais que seja atraente a idéia de voar, é desesperador ficar sem o chão. Alguém poderia me indicar o caminho mais curto até o chão mais próximo? Porque eu estou sentindo que a queda vai ser bem alta dessa vez.

Posted by emptyroom at 04:20:31 | Permalink | Comments (2)

Thursday, April 20, 2006

só mais um dia ruim…

círculos, círculos, círculos… quando eu penso que FINALMENTE consegui escapar disso, eu me vejo de volta ao mesmo lugar de sempre. a única coisa é que achei um caminho diferente e mais longo pra dar a volta. a bagunça fica cada vez pior, o mundo gira cada vez mais rápido, eu me sinto cada vez mais patética. e o objetivo disso tudo seria…?

sim, já perdi o objetivo, o foco, o centro. cadê o caminho de volta pro início do labirinto? eu quero sair, não aguento mais brincar de me perder, eu volto pro começo e desisto de atravessar pro outro lado. Afinal, o outro lado não parece ser muito melhor, real e animador. lá deve ser cheio de figuras geométricas, principalmente aquelas redondas e as triangulares. odeio triângulos, mas eles me amam. minha sina. e simplesmente não consigo mais me dar bem com eles.

ou, quem sabe, é comigo mesma que não consigo mais lidar. porque eu “mereço o melhor, tenho que ser tratada bem, sou a pessoa ideal”, mas nunca o suficiente. nunca sou suficientemente boa pra consertar as coisas e pra deixar tudo estável. não sei qual foi o momento em que eu tive que decidir entre a bagunça e a estabilidade, ninguém me avisou de que eu abria mão e ninguém sequer citou todas as consequências. sei que tem, em algum segundo do passado, alguma palavra dita errada, algum passo em falso, algum plano em vão.

eu precisava sair de mim por uns dias, esquecer, distrair. mas, infelizmente, parece que vou ter que lidar com tudo que está acontecendo, com o problema permanente de geometria, com o familiar e com o emocional/psicológico. alguém precisa parar o mundo um pouco pra eu poder respirar. porque quando eu penso que tenho um colo, o chão desaba e eu caio junto.

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Sunday, April 9, 2006

Se eu fosse uma criança de 5 anos ainda, eu estaria brincando num gira-gira, feliz e empolgada. Então, o gira-gira ia começar a girar rápido demais. E mais. Mais. Mais.

Aí eu ficaria com medo. Começaria a gritar para que alguém parasse o gira-gira pra eu descer, porque não daria pra pensar e eu ia esquecer quem eu era e como se anda quando se sai do brinquedo. E as cores do mundo começariam a se misturar, tudo ia ser uma coisa só e eu ia fazer parte daquela massa multi-colorida.

Não que isso não fosse legal. Só que na hora que meus pais me vissem tonta, despenteada e suja de uma tinta multi-colorida, eles iam brigar comigo e me mandar de volta pra torre pra brincar de rapunzel.

Só que no meu caso, não haveria tranças, nem príncipes ou aspirantes a, nem passarinhos felizes cantando na janela pra me alegrar um pouco. Minha bruxa malvada seria meu superego, me prendendo, me amordaçando e cortando meus cabelos. E eu ia passar toda eternidade da minha juventude tentando conciliar minha tristeza de estar aprisionada a paradigmas com meu anseio por liberdade.

Metáforas à parte, minha casa precisa me olhar dentro dos olhos e enxergar algo além de uma menina de 18 anos se descobrindo e sendo feliz pela primeira vez na vida.

Posted by emptyroom at 23:23:49 | Permalink | Comments (1) »