Carnivale
Sei que ninguém é muito fã da Zezé. Mas eu fiquei lembrando hoje de uma aula em que ela discutiu sobre as máscaras que cada um tem que usar no dia-a-dia. E foi quando ela deixou bem claro que ela era infeliz com a vida e usava uma máscara constante de felicidade pra que todo dia ela vá dar aula, finja ser livre das morais do mundo quando na verdade ela se sente presa e emparedada. Mas não quero escrever uma análise psicológica da minha professora de redação agora.
É só que eu me sinto usando uma máscara agora também. Mas eu não sei até onde tem uma máscara e até onde minha imagem é real. Porque eu me sinto irritada, cansada, frustrada, decepcionada, magoada mais uma vez. E por algum motivo, estou tentando esconder isso. E por algum motivo, não está dando certo.
Confusão de novo. E eu não consigo explicar. E não consigo achar nem o sentido nem a falta de sentido em tudo. Tudo estranho por dentro. Tudo uma bagunça só e não sei nem por onde começo a arrumar, a colocar as coisas no seu devido lugar, porque as paredes estão andando e o teto caiu e o chão se rachou. Roubaram as prateleiras, quebraram o vidro das janelas. E nunca vou achar os lugares de antes, porque os lugares de antes não existem mais.
E quando alguém diz que tem coisas que nunca voltam, eu penso comigo que essas coisas não são só algumas. São todas. Nada volta nunca. Nunca mais é a mesma coisa.
Cérebro sobrecarregado. Cerebelo cicatrizando. Bulbo tomando conta do corpo todo. Porque daqui a pouco, defender-se e se esconder vão ser atos reflexos e instintivos.