Saturday, November 19, 2005

Carnivale

Sei que ninguém é muito fã da Zezé. Mas eu fiquei lembrando hoje de uma aula em que ela discutiu sobre as máscaras que cada um tem que usar no dia-a-dia. E foi quando ela deixou bem claro que ela era infeliz com a vida e usava uma máscara constante de felicidade pra que todo dia ela vá dar aula, finja ser livre das morais do mundo quando na verdade ela se sente presa e emparedada. Mas não quero escrever uma análise psicológica da minha professora de redação agora.

É só que eu me sinto usando uma máscara agora também. Mas eu não sei até onde tem uma máscara e até onde minha imagem é real. Porque eu me sinto irritada, cansada, frustrada, decepcionada, magoada mais uma vez. E por algum motivo, estou tentando esconder isso. E por algum motivo, não está dando certo.

Confusão de novo. E eu não consigo explicar. E não consigo achar nem o sentido nem a falta de sentido em tudo. Tudo estranho por dentro. Tudo uma bagunça só e não sei nem por onde começo a arrumar, a colocar as coisas no seu devido lugar, porque as paredes estão andando e o teto caiu e o chão se rachou. Roubaram as prateleiras, quebraram o vidro das janelas. E nunca vou achar os lugares de antes, porque os lugares de antes não existem mais.

E quando alguém diz que tem coisas que nunca voltam, eu penso comigo que essas coisas não são só algumas. São todas. Nada volta nunca. Nunca mais é a mesma coisa.

Cérebro sobrecarregado. Cerebelo cicatrizando. Bulbo tomando conta do corpo todo. Porque daqui a pouco, defender-se e se esconder vão ser atos reflexos e instintivos.

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Sunday, November 13, 2005

circulos

Eu sei que o mundo está rodando desde o Big Bang. Mas mesmo assim, ainda acho incrível a capacidade com que minha vida se deixa influenciar por isso. De 18 anos pra cá, tudo que acontece comigo se resume numa grande ciranda surreal, um carrossel nos quadros de Dali, uma caricatura grotesca das brincadeiras infantis de roda.

            Posso tentar ser diferente, agir diferentemente, me esforçando pra que as coisas dêem certo, me privando de certas vontades em troca de confiança. Posso sair do meu mundinho interno, expor meus sentimentos, libertar tudo o que penso, só pra ser sincera o tempo todo, na ilusão de reciprocidade. Posso me comportar de uma forma que, na minha opinião, me rebaixa e me submete a certas situações que ferem meu orgulho, que só pra constar, não é pequeno. Posso procurar caminhos alternativos pra continuar andando, alguns atalhos, outras estradas, ruas, avenidas e escolher o outro lado das bifurcações.

            E, para minha surpresa ou não (dependendo do grau de pessimismo do momento), volto sempre para o mesmo lugar, no mesmo ponto de partida, em frente à mesma placa da qual eu tento fugir. É, sim. “At least, I’m on my own again”.

            Conseqüência: aqui estou eu, escrevendo um post deprimente, com uma barra de chocolate meio amargo do lado, ouvindo Trying your luck pela décima sétima vez seguida e imaginando porque as coisas nunca podem dar certo pra mim quando eu estou sendo feliz. Tem vezes que só tentar a sorte não basta, nem mesmo o esforço de querer ver novos finais.

 

 

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